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quinta-feira, 1 de novembro de 2012

O compasso da desilusão

Fotografia por Izabel Godoy. Agradecimento à Letícia Godoy, modelo da imagem.


O compasso da desilusão


A decepção escorre quente e molha o rosto.
Palavras ditas, emoções entregues ao ar,
Penetram como flechas certeiras ao peito.
Ecoam dúplices, tríplices e misturam-se: Drink de várias dores.

Desespero, desamparo e angústia se acomodam.
Pedem espaço onde nobres sentimentos tinham vez.
Carregada, inerte e lacrimosa, aquela que reluta,
Torna-se alvo e despe-se sem culpa.

A raiva ladra quando a ferida é tocada.
A verdade aflora ao despertar do “animus”,
E, sem desculpas, cospe por morteiros.
Tiros indiretos. Batalha vencida.

Coroando a desgraça vem o silêncio,
Mortal companheiro das decisões dissolutas.
Com um nó na garganta, sufocando gritos de clemência e justiça,
A bailarina se lança, sai de cena – fim do primeiro, e único ato.

Izabel Godoy.


quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Previsão do Amor




Previsão do Amor

A minha parte orgulhosa diz, se afaste.
A minha parte amorosa diz, perdão.
O meu coração magoado diz, covarde.
O meu coração apaixonado diz, fique, de antemão.

E entre os últimos dias e noites tristonhos.

Entre lamentos e solidão, brota tênue, 
No liame do correto e do concreto, a névoa que se torna espessa, 
Se faz palpável, se materializa e se finca em meu peito.

Peito aberto que deseja luz, deseja sol e cores. 

Só quer você.
Peito medroso nos dias cinza. 

Encolhido se molda, onde abraça fantasmas e dá asas a imaginação.

Que venha o bom tempo, não quero chuva.
Que venham os bons ventos onde nada se acumula.
Passe tempo e voe ao vento. 

Quero dias na velocidade da luz.

Hoje não existe mais fumaça. 

Existe fogo e certeza, amor e paixão.
Hoje não quero dia sem graça. 

Quero você na mão e na contramão.
                                                          (Izabel Godoy)


terça-feira, 17 de abril de 2012

A cloudy day in a fisherman's life...


Porto de Galinhas beach -  Pernambuco  - Brasil


Um dia nublado na vida de um pescador...


Em um trabalho que é diário.
Enfrento as intempéries do mar.
Ouço o ceu rasgando até encontrar a superfície.
As vezes mansa, ora agitada das ondas.
Vejo faíscas brilhantes dentro e fora d´água.
Desta forma eu continuo dia após dia.
Para trazer o sagrado alimento para a mesa dos meus filhos. 
Porque eles têm fome.
E através do meu amor.
Deus permita que seus espíritos também sejam alimentados. 




A cloudy day in a fisherman's life...


In a work that is daily.
I face the storms of the sea.
I hear the sky ripping up the surface. 
Sometimes gentle, sometimes agitated waves.
I see bright sparks in and out of water.
So I continue day after day.
To bring the sacred food for the table of my children.
Because they are hungry.
And through my love.
God grant that their spirits are also fed.
Izabel Godoy, 17.04.2012

quinta-feira, 1 de março de 2012

Composição Fotográfica: Os 10 Escritores.



Os 10 escritores.

Por trás da malha fria que reveste veias e músculos quentes, encontramos os dedos ágeis a refletir pensamentos.
Autômatos eles seguem como partes apenas sentidas nos momentos de dor.
Rebeldes eles se revelam quando tentam emitir pensamentos outros, quase próprios, que me confundem e me atrasam.
Por vezes cantam vitórias, e orgulhosos trabalham, procuram suas letras, sílabas, frases favoritas, que ora me encantam, ora me calam à medida que brotam a olhos vistos.
Eu e meus dedos.
Eu e uma parte de mim.
Eu e várias partes de mim.
Eu e muitos outros que se aglutinam a mim.
Meus pensamentos, seus ideais, nossos presente e passado compartilhados e que dizem sim:
Queremos falar.
(Izabel Godoy).


Fotografia: Museu de Esculturas Francisco Brennand.